quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pequena silenciosa


Fingir ter uma venda nos olhos, algo que lhe feche a boca e que só se abre para agradar. Ela chora debaixo do chuveiro para ele não escutar suas lágrimas. Faz súplicas ao silêncio, grita para o longe com a cabeça voltada em direção à esperança.

Chega o dia ela não vê, chega a noite e ela também não consegue perceber. Se olhar no relógio vê que perdeu muito tempo e se pergunta com o quê, por quê? Ela sabe que não está bem. Mas está. Se cala, não murmura. Tem coisa pior. Um dia muda.

Ela se cansou de conversas que não chegam a lugar nenhum. Cansou de ouvir desculpas e reclamações, de conselhos e de apontamentos. Ela se cansou. E quando a gente cansa o que faz recuperar o fôlego? Eu não sei. Às vezes espera passar o tempo. Espera ele trazer a resposta. Mas hoje, e nos últimos meses, ela se recupera a todo o momento, a todo silêncio. Eu nem sei como, mas, mesmo cansada e sem forças, ela me traz esperança. Ela é a minha semente de fé.