quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Valeu a pena, ê ê!


E como uma montanha russa eu posso definir o que se passou nesse ano. Muitos altos e, baixos mais ainda. Mas foi bom. 
Conheci pessoas que vou levar pelo resto da minha vida. Tive momentos inesquecíveis ao lado delas e sei que por isso, tudo valeu a pena.
Consegui manter algumas amizades, que com tanta correria e imprevistos se tornou uma árdua tarefa de realizar, mas eu consegui e me alegro por isso. Não quero perder, por falta de esforço e dedicação tudo aquilo que conquistei no passado. Se tiver de ir, vá. Se não for bom pra mim, ou se for trazer algum mal a qualquer um a minha volta, que vá e não volte. Mas, por favor, se for me fazer bem nem se afaste!
Entendo que o preço que a gente paga pra conquistar coisas boas na vida é alto, bem caro e com juros, em algumas ocasiões. Mas nada disso me importa se eu conseguir manter e ser feliz com os que amo e aprendi a amar. Não importa a força, coragem, tempo, fé e ânimo que tenha perdido este ano com algumas coisas, que foram tristes. O que me importa é que eu sei que nada vem fácil e se foi tão difícil passar por esse ano, os outros me trarão coisas muito melhores e tudo vai valer a pena. Melhor, tudo já valeu a pena!
 "A vontade de Deus nunca irá levá-lo aonde a graça de Deus não irá protegê-lo."
Sei que o Senhor está no controle da minha vida, e é por isso que eu vou seguir tranquila. Passar pelo que houver de ser confiando que eu conquistarei muito mais do que perdi e que, a vitória será certa.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Tudo novo, de novo

Serão milhares e milhares de pedidos. Alguns serão mais parecidos com súplicas, outros com acréscimos.
Será tempo de mudanças. Alguns de endereço, alguns mudarão o telefone (por querer fugir de certos contatos, ou por querer mudar somente), uns de amores, de amigos, de lugar, de pecados e os mais necessitados, de vida.

Simpatias, rezas e orações serão feitas pelas mais diversas pessoas. Algumas irão lavar suas almas no mar, com taças de champagne ou com sorrisos de algum familiar.
Haverá renovação, de laços, votos e de esperanças. Não há tempo melhor que esse, a passagem de um ano para renovar o velho e criar o novo.

Alguns viajarão para casa de suas famílias, outros vão recebe-los em suas casas. Alguns passarão com a saudade. Irão fazer a contagem regressiva por telefone e os mais moderninhos por Skype. Alguns vão ficar em suas casas, sozinhos com a companhia de um alimento instantâneo ou congelado. Outros irão para a Av. Paulista esperar segundo a segundo, o ano novo chegar, numa contagem que parece mais coro, com milhões e milhões de vozes.

Todos irão de alguma forma, por mais estúpido e bobo que pareça, sentir uma esperança de que ao surgir de um novo ano, um novo ciclo de vida se fará. Você pode negar, mas quem é que não sente, que o início de algo trará consigo vários outros inícios?
E que este ano seja melhor para todos, de coração assim espero. Que você possa tirar da lista as promessas e começar a cumpri-las e que as promessas a você feitas, também.
Um ótimo, lindo e maravilhoso ano novo para todos vocês!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Amigos

Tenho um amigo bandido, que roubou meu coração.
Tenho um amigo palhaço, que se contorce, se transforma e se esforça para me fazer dar belos sorrisos e longas gargalhadas.
Tenho um amigo médico, especialista em curar dores do coração.
Tenho também um amigo psicólogo, o melhor em ouvir e dar conselhos.
Tenho um amigo irmão, a quem amo, como se tivesse escolhido para fazer parte de uma família, que eu mesma montei.
Um outro que é meio pai, meio mãe cuidadoso e protetor.
Já um é professor, está ali sempre me ensinando sobre as importâncias desta vida e do mundo.
Outro é criança, me faz voltar a pureza e inocência dos meus dias de boneca, pique e esconde, ping-pong e jogar bola.
Tenho um amigo, com quem eu posso contar, confiar e amar e , ainda assim receber tudo de volta sem nenhuma cobrança ou obrigação. Alguém que está aqui, ali e, onde estiver está comigo.
 Consigo carregá-lo na mente e no coração, sem haver briga entre os dois, sem ter que escolher entre a emoção e a razão. E mesmo se eu agradecer todos os dias, ao meu Deus, por ele ter me presenteado com a amizade, sei que não será o suficiente. Nunca o suficiente para agradecer tamanha alegria!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

"Não olhar pra trás. Esperar a paz."

Os dois dividiam um silêncio absurdo de verdades. Há tempos, não conversavam sobre o que sentiam, ou sobre assuntos que não fizessem parte das páginas de jornal.
Esperava que ele tocasse no assunto, ou que pelo menos me incitasse a conversar sobre o que tanto nos machucava.  Acho que ele não sabe o quão aquilo me marcou e feriu.
Só que você preferia não mexer em assuntos do passado. Pensava que se não tocássemos no assunto, ele desapareceria com o tempo.
Mas não desapareceram e tenho medo que não sumam nunca mais. Os seus erros me transformaram no que sou hoje. Não conseguir demonstrar o que sinto. Não conseguir confiar nas pessoas, apesar das tentativas.  Não conseguir me entregar a felicidade, pois a desconfiança de que ela não é real, de que o que hoje me faz feliz, amanhã vai me machucar são fortes demais. E isso não é uma dúvida, como todas as pessoas têm. Isso, pra mim é uma certeza.
 Me fez mais forte? Talvez. Talvez só tenha me enfraquecido e por isso, eu não consigo arriscar. Prefiro ficar em uma zona de conforto, um porto seguro que eu construí e geralmente, me encontro escondida por lá.
Me fez ignorar os sentimentos, meus e alheios. De uma forma que eu nunca vou saber explicar, me tornei fria e frágil ao mesmo tempo. Fria por conseguir fingir que não me importo e frágil por sempre estar destruída por dentro, com essa minha mania de matar meus desejos, sonhos e anceios por meus medos.
As vezes a raiva pelas coisa que você me diz, pela desmotivação, me fazem ir um pouco mais além, do que eu podia imaginar. Mas essas conquistas não têm o mesmo valor quando não as alcanço por vontade e por isso, elas me trazem frustrações. Por não ser mais quem sou, por não ter mais certeza de quais são os meus sonhos, e não os que só quero conquistar para te provar que consigo.
Eu quero voltar a dirigir minha vida, a ser a atriz principal. E não alguém que fica estagnada  na platéia vendo minha vida passar, como se eu não fizesse parte dela... Quero deixar de esperar alguém decidir qual será a próxima cena, para ser parte do espetáculo, pra poder fazer o meu show!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Único dono

Não suporto quando as pessoas acham que podem possuir as outras, que elas tem único "dono" e que elas lhe pertencem como um objeto.
Nada nesse mundo nos pertence por completo. Tudo pode nos ser tirado de uma hora para outra, assim do nada.
Desculpa, mas não consigo entender esse amor egoísta das pessoas.
Se duas pessoas se amam, elas terão vontade de estar sempre ao lado uma da outra e não será necessário que nada, os prenda para isso. O amor é um sentimento involuntário, eu sei. Já me disseram isso diversas vezes. Mas o fato de estar com quem se ama, deve ser totalmente voluntário. Deve partir dos dois, ser um sentimento (o de pertencer) recíproco.
Do que adianta colocar rédias, viseiras como as de um cavalo em uma pessoa, se ela só está ao seu lado por causa dessas "amarras" que as pessoas fazem? Se a pessoa te ama e quer estar com você, nada, nem ninguém pode tirá-la do seu lado. É uma questão de vontade própria e não de proibição.
Estou cansada de perder amigos porque outras pessoas os etiquetaram com seus nomes. Amizade também é amor, também é necessidade, sabia? Então, por favor pare de tirar das pessoas o direito de viver e de compartilhar a vida.
Se quem você ama também sente o mesmo, este alguém ficará ao seu lado, independente das outras pessoas e por vontade de estar ali. Não por obrigação, por ter que pertencer e "ser" de uma pessoa só.

sábado, 12 de novembro de 2011

Me deixa, que eu vou falar de saudade


Ai saudade sai daqui, me deixa dormir. Para de ficar me atormentando a cada lembrança! Não tem a mínima graça esse meu desejo urgente que não pode ser atendido nem tão cedo, então pode parar por aqui.

Se você não entende, do que estou te falando vou explicar, ou melhor, detalhar.
Sabe quando você ouve uma história engraçada e sente vontade de contá-la para "aquela" pessoa, mas não pode (por 'N' motivos) e então fica triste de novo? Pois é, saudade.
Quando você começa a ver, no rosto de outra pessoas, o rosto dele(a). Ê saudade, como apronta!
Está andando quando o vento vem e traz com ele, aquele perfume que é impossível esquecer. Você olha para todos os lados, mas não encontra o "responsável" pelo cheiro que você procurava. Saudade malvada, essa dá até um aperto no peito.
Aquela música. Aaaah, aquela música começa a tocar na rádio ou "surge" na sua playlist e te faz voltar aos melhores momentos. Putz! Era nossa música, que eu costumava gostar... Agora, ela só machuca.
A mensagem, a conversa gravada, o bilhetinho, carta, e-mail tanto faz. São as palavras que te levam ao começo de tudo, a história toda... Do primeiro ao último beijo. E você fica se martirizando para tentar entender por que não estão mais juntos... Saudadeeeeeeee!
É o aperto no peito que te paralisa por instantes, a tristeza repentina, a lágrima que surge e você só percebe que ela veio, quando escorre pelo rosto. É a sensação de impotência, de fracasso e frustração. O arrependimento pelo feito e mal feito, a insatisfação e a agônia. É a falta da conversa, do abraço, do afago, do beijo e do aperto. É a saudade minha gente! E ela é bem danada.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cidadão

Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição, era quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado 
"Tu tá aí admirado ou tá querendo roubar"
Meu domingo tá perdido, vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio que eu ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento, ajudei a rebocar
Minha filha inocente veio pra mim toda contente
"Pai vou me matricular"
Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Porque que é qu'eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava, mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a colher
Tá vendo aquela igreja moço, onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo, enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena, tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
"Rapaz deixe de tolice, não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra, não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas e na maioria das casas
Eu também não posso entrar"

Composição: Lucio Barbosa.

sábado, 5 de novembro de 2011

Três pontinhos...

Ninguém pode começar de novo, mas qualquer um pode fazer um novo fim.
Chico Xavier

Ele: Psiiiiiiiiiiiiiiu. Larga essa papelada ai e vem cá, vem andar do meu lado!
 - Tá frio aqui fora, viu! Vem, vem logooo!
Ela: Mas ainda tem tanta coisa por fazer... Você não vê? Está tudo bagunçado desde a última vez em que você passou por aqui. Você deixou uma bagunça danada, sabia?! Eu quase não consigo arrumar as coisas, por no seu devido lugar. Aliás, ainda tem muita coisa perdida e colocada de forma errada aqui.
Ele: Eu sei, eu sei! Mas a culpa não foi só minha, ok? Eu disse que não ia conseguir levar tudo comigo sozinho. Quando você sumiu, sem explicação, eu não soube o que fazer. Não consegui carregar minhas tralhas comigo!
Ela: Sumi.
- E sabe de uma coisa? Sumi, pois a tormenta que isso se tornou, me cegou. Não conseguia encontrar o caminho de volta. O Katrina passou por aqui, enquanto você decidia o que queria para nós.
- As pessoas viviam me perguntando, o por que da expressão de vazio e tristeza no meu rosto. E sabe o que eu respondia? Colocava o meu sorriso mais falso na cara e dizia: Que tristeza? hahaha Tô feliz e você?
- Sempre pulando pro próximo assunto. Tentando mudar o foco, que infelizmente, nos últimos dias era a minha falta de explicações sobre o que sentia. Como explicar algo, que pra mim, era tão vazio e confuso quanto o que eu sentia...
Ele: Eu sinto muito por tudo o que te fiz passar, no final das contas, sozinha! Me perdoa, por favor? Eu tenho saudades mórbidas do que já fomos e tenho mais saudades ainda, de tudo o que ainda podemos ser.
- Me dá mais uma chance?
(suspiros)
(silêncio)
Soltou o ar que havia prendido com toda a força, tentando manter a calma e disse ela, com voz de desistência:
- Entra e pega aquele papelzinho que o vento está tentando levar, vai! Já cansei de ir atrás dele! Ele só fica quando você está.

domingo, 30 de outubro de 2011

Três dias para ver, por Helen Keller.

Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no principio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silencio lhe ensinaria as alegrias do som. 
De vez em quando testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi à resposta.
Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tacto encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro. Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando.
Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.
Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos.  Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?
Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam.  Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias!
O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.  À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.  Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos, veriam a história condensada da Terra -- os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.
Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tacto as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.
Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tacto. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.
À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restricta ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso. Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.
Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.
Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.
Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa. Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.
Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas aço que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.
Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Nas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual. Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.
Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos. Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tacto. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Indefinido

Talvez a definição de aproveitar o presente não seja mesmo essa que todo mundo pensa. Essa de não deixar as oportunidades escaparem, de fazer novos amigos, de viver e encontrar muitos e muitos novos "amores". Talvez não seja uma questão de quantidade, mas sim de qualidade.

Você diz que não quer se prender ao seu trabalho. Há tanta coisa maior te esperando lá fora, não é mesmo?! Mas e se você der tempo ao tempo? Deixar que o que tenha de acontecer aconteça mesmo. Fazer o seu melhor e se entregar por inteiro onde estiver e quando perceber que já deu o suficiente de ti, e não há mais nada ali que lhe possa acrescentar vá em busca do tão tentador novo.

Você diz que não quer se envolver com uma pessoa só. Sou jovem, estou naquela época da vida em que só queremos curtir, quero encontrar e me divertir (no bom sentido da palavra) com muitas/os que virão por aí. Não quero ficar "amarrado" em uma pessoa só. Mas e se o melhor for se prender a essa pessoa e se você viver com ela momentos felizes e duradouros? E se você abrir mão de um mundo cheio de pessoas lá fora e se dedicar somente a uma? Não fuja dos relacionamentos por achar que vai perder tempo e oportunidades com outras pessoas. O tempo nem é tão curto assim. E se for, você não prefere viver momentos únicos a momentos que com o passar do tempo irão te frustrar e lhe trazer saudades do que você perdeu procurando o novo?

Você diz querer fazer novos amigos, conhecer pessoas diferentes e se surpreender com elas. Mas e se você se dedicar aos "velhos" e "permanentes" amigos? E se você diminuir sua lista de 'Pessoas que conheço' e aumentar aquela lista de 'Amigos de verdade'. Não estou dizendo que conhecer e fazer novos amigos seja ruim, mas que tal não deixar passar o tempo, que poderia ser ocupado com momentos perfeitos ao lado de quem se gosta, para saciar a curiosidade de novas pessoas.

Que tal parar de achar que a vida é curta, que o tempo que temos é pequeno demais. Não dizem que horas ao lado de quem se ama passa como se fossem segundos? Pois então, ao invés de viver anos, décadas, séculos de uma vida de quantidade. Viva alguns desses segundos com quem gosta, com quem a tua presença seja indispensável.

Se permita ao amor, se permita conhecer um pouco mais de quem gosta. Permita também que quem te ama, te conheça, te descubra e te surpreenda a cada dia.
Permita que o tempo passe como tempo, e que a vida passe como vida.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O nome disso é: "Nós"

Sabe o que é? É como quando você segura minha mão e a sua vai escorregando até a ponta dos meus dedos. Quase quando nossas mãos vão se soltar você percebe e segura em minha mão de novo, só que dessa vez mais forte. É como quando no fim do beijo você segura meu rosto e olha bem no fundo dos meus olhos, com um sorriso entre aberto meio bobo, sabe? Tira aquela mecha de cabelo que ficou entre nossos olhos como se estivesse a observar um quadro e não quisesse que nada do que estivesse fora dele te atrapalhasse. É como quando eu digo as bobagens e chatices de sempre e você me aperta em seus braços só pra ter certeza que eu não irei escapar ou desviar de ti ao dizer-me que nada disso importa, e que adora meu jeitinho todo torto de amar. 
Sabe o que é? É esse teu jeito  de me demonstrar que a gente ainda pode se amar.

Sempre continuar




Levanta dessa cama, desse sofá. Levanta para o mundo que te espera lá fora que tem tanto a te oferecer. Outros amores, amizades, empregos, oportunidades, aprendizados e alegrias virão. Assim como outras decepções, frustrações e mágoas também irão te ferir novamente. Mas cabe a você e a mais ninguém o poder da recuperação, o poder de cura, que além de ser divino existe dentro de você. 
Deus nunca dá ao pequeno o que só o grandalhão poderia aguentar. Se você está passando por isso, Deus sabia que você era forte o suficiente para enfrentar.
Então levanta essa bunda que já está quadrada de tanto esperar e vai viver a vida. Enfrenta seus medos, quebre barreiras, construa novos caminhos e sonhos. Vai, você consegue e no fundo, bem no fundo da sua alma você sabe que essa força existe. Ela está ali, juntinho com toda a bagunça. Do lado esquerdo do amor não correspondido e do direito das frustrações. É, bem ali. Já consegue ver? Sim. É este pequeno pontinho brilhante. Ele vai fazer com que você se torne viva de novo, ele vai trazer toda a beleza de volta para os seus olhos, sorriso e coração tão apagados. Vai, minha filha, mas vai sem preguiça. Vai na fé!